Sabia que...

O traumatismo crânio encefálico (TCE) na sociedade é preocupante, por 70% dos indivíduos serem jovens e de ser uma das principais causas de morte em adultos com menos de 35 anos. A agravar, poucos são os estudos realizados acerca desta temática, em Portugal. Nem se sabe presentemente qual a taxa de incidência de TCE no nosso país. Contudo, apesar dos avanços ao nível das normas de segurança e dos cuidados prestados, não há indicadores de diminuição do número de TCE nos países desenvolvidos ou em vias de desenvolvimento. Segundo a análise dos dados fornecidos pela Divisão de Epidemiologia da Direção Geral de Saúde, verifica-se que os números ainda continuam a rondar os 3 mil diagnósticos anuais.

Aumenta também o número de sobreviventes com sequelas graves, que anteriormente não teria sobrevivido, com o risco crescente de cada vez mais indivíduos se tornarem membros não produtivos na sociedade. Esta situação acarreta sérias consequências, não só para o indivíduo que sofreu o TCE e respectiva família, mas também para a sociedade em geral.

Com o passar do tempo após a lesão, sabemos que existe um aumento da necessidade de apoio, porém a ajuda profissional disponível não aumenta proporcionalmente. A informação que os intervenientes recebem sobre os próximos objectivos para melhoria física, cognitiva e comportamental/emocional do seu ente querido é nula e dificilmente coordenada, o que lhes dificulta a avaliação da eficiência e eficácia do trabalho realizado e o processo de tomada de decisão do rumo a tomar com vista à melhoria do indivíduo lesado. Há casos de sucesso na adaptação a uma nova vida emocional, social e até profissional, no entanto esta não é a maioria, e assim existem muitos outros casos que se sentem perdidos numa eterna busca da recuperação ou em situações de completo abandono e ausência de esperança.
Desta forma, e devido à grande necessidade de apoio aos indivíduos que sofreram o TCE por parte dos seus familiares, torna-se imperativo o desenvolvimento de estudos sobre as necessidades dos membros da família, como por exemplo: dificuldades financeiras; falta de informação acerca das sequelas do traumatismo; tipos de reabilitação que tiveram, quanto tempo tiveram; porque alguns casos têm mais sucesso que outros; quais os factores mais importantes a ter em conta?

Pretende-se estudar e trabalhar esses factores, de modo a reduzir o “peso” dos cuidadores, uma vez que o apoio deve ser fornecido não somente ao indivíduo que sofreu lesão, mas também às pessoas que o acompanham, familiares e/ou cuidadores, que são indirectamente afectados pelas consequências do traumatismo. Este estudo coloca ênfase no facto cientificamente provado, mas pouco trabalhado, que a família (relação familiar) é um factor necessariamente a ter em conta por parte dos profissionais de saúde que acompanham o indivíduo que sofreu TCE, uma vez que as ligações emocionais entre membros familiares e a capacidade desses membros se adaptarem a alterações nos papéis, relacionamentos e regras em alturas de stress, pode influenciar a satisfação de vida após o TCE.

O trabalho da Associação Novamente com as famílias “diz-nos” que as famílias são muitas vezes “abandonadas”, sem qualquer tipo de informações, estratégias ou formas para lidar com o seu familiar, que aparentemente está bem, mas que os lesados não reconhecem. Tal facto leva à não compreensão, por parte da família, dos comportamentos do indivíduo que sofreu TCE e a graves alterações da dinâmica familiar. Uma família com uma boa base de suporte irá ter um melhor entendimento da situação, percebendo o seu importante papel para a melhoria do indivíduo que sofreu TCE, o que se irá reflectir na reabilitação e na sua reintegração social ou mesmo profissional.