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Empatia no Dano Cerebral Adquirido

15 de Julho, 2026

Este  artigo é uma  primeira revisão sistemática e meta-análise sobre a empatia em adultos com Dano Cerebral Adquirido (DCA), publicada na Neuropsychology Review em 2025.

O estudo reúne os resultados de 29 estudos e compara pessoas com DCA com pessoas sem lesão cerebral.

Conclusões principais

1. O DCA reduz significativamente a empatia

A conclusão mais importante é clara:

As pessoas com DCA apresentam défices significativos de empatia, sobretudo na capacidade de compreender o que os outros sentem.

Os autores encontraram:

  • Empatia cognitiva (compreender a perspetiva e emoções dos outros): défice moderado (g = -0,68)
  • Empatia afetiva (sentir emocionalmente com o outro): défice moderado (g = -0,43)
  • Preocupação empática (compaixão e vontade de ajudar): défice pequeno a moderado (g = -0,38)

Ou seja, a maior dificuldade não é deixar de sentir emoções, mas deixar de compreender corretamente aquilo que o outro está a viver.

2. Nem todas as pessoas ficam afetadas

O estudo estima que:

  • cerca de 31% apresentam défice importante de empatia cognitiva;
  • cerca de 35% apresentam défice importante de empatia afetiva;
  • cerca de 22% apresentam diminuição da preocupação empática.

Isto significa que uma parte substancial dos sobreviventes de DCA desenvolve alterações relevantes da empatia, mas não todos.

3. A dificuldade de empatia ajuda a explicar muitos conflitos familiares

Os autores relacionam estes défices com:

  • dificuldades conjugais;
  • conflitos familiares;
  • perda de amizades;
  • isolamento social;
  • dificuldades no trabalho;
  • pior qualidade de vida;
  • maior sofrimento emocional dos familiares.

Ou seja, muitos comportamentos interpretados como egoísmo, frieza ou falta de interesse podem resultar diretamente das alterações cerebrais e não de falta de caráter.

Esta é provavelmente a conclusão com maior impacto clínico e social.

4. O problema deve ser avaliado de rotina

Os autores defendem que a empatia deve passar a ser uma área avaliada sistematicamente na reabilitação do DCA.

Atualmente avalia-se frequentemente:

  • memória;
  • linguagem;
  • atenção;
  • funções executivas.

Mas raramente se avalia:

  • empatia;
  • cognição social;
  • funcionamento interpessoal.

Os investigadores consideram esta uma falha importante dos serviços de reabilitação.

5. É necessário desenvolver programas específicos de reabilitação

Outra conclusão forte:

Não basta trabalhar memória ou atenção.

É necessário criar intervenções dirigidas a:

  • reconhecimento das emoções;
  • tomada de perspetiva;
  • competências sociais;
  • empatia cognitiva;
  • empatia afetiva.

Os autores afirmam que estas áreas devem tornar-se parte integrante da reabilitação neuropsicológica.

6. O tipo de lesão cerebral parece importar menos do que se pensava

O estudo analisou:

  • AVC;
  • traumatismo cranioencefálico;
  • tumores;
  • aneurismas;
  • outras lesões.

Não encontrou diferenças consistentes entre estas causas.

Isto sugere que os problemas de empatia são uma consequência relativamente transversal do DCA e não apenas do traumatismo craniano.

7. A empatia pode melhorar com o tempo

Encontrou-se uma associação positiva entre:

  • maior tempo após a lesão;
  • melhores níveis de empatia afetiva.

Isto sugere alguma recuperação espontânea ou adaptação ao longo dos anos, embora nem sempre completa.

8. Homens e mulheres com DCA apresentam alterações semelhantes

Ao contrário da população geral, onde as mulheres costumam apresentar níveis mais elevados de empatia, neste estudo:

  • não foram encontradas diferenças relevantes entre sexos após o DCA.

 E é isto

O GAP entre os outros conselhos típicos que as gestoras de famílias já dao: um dia de cada vez, celebrar vitorias, visitas positivas, entender que cada pessoa na família sofre mas manifesta o seu sofrimento de forma diferente e deve ser respeitada como tal, não tomar decisões na fase de agudas reconhecendo que não estamos com a cabeça fresce nem conhecvemos ainda o panorama do futuro, a pessoa com dano cerebral não confia no seu cérebro, um dia não é igual ao outro e mil coisas, há que alerta que a maioria dos DCA vai ter dificuldades em gerir emoções e a falta de empatia é algo que se poderá revear ao longo do tempo e poderá advir de razoes diferentes

Vera Bonvalot

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