O estudo reúne os resultados de 29 estudos e compara pessoas com DCA com pessoas sem lesão cerebral.
Conclusões principais
1. O DCA reduz significativamente a empatia
A conclusão mais importante é clara:
As pessoas com DCA apresentam défices significativos de empatia, sobretudo na capacidade de compreender o que os outros sentem.
Os autores encontraram:
- Empatia cognitiva (compreender a perspetiva e emoções dos outros): défice moderado (g = -0,68)
- Empatia afetiva (sentir emocionalmente com o outro): défice moderado (g = -0,43)
- Preocupação empática (compaixão e vontade de ajudar): défice pequeno a moderado (g = -0,38)
Ou seja, a maior dificuldade não é deixar de sentir emoções, mas deixar de compreender corretamente aquilo que o outro está a viver.
2. Nem todas as pessoas ficam afetadas
O estudo estima que:
- cerca de 31% apresentam défice importante de empatia cognitiva;
- cerca de 35% apresentam défice importante de empatia afetiva;
- cerca de 22% apresentam diminuição da preocupação empática.
Isto significa que uma parte substancial dos sobreviventes de DCA desenvolve alterações relevantes da empatia, mas não todos.
3. A dificuldade de empatia ajuda a explicar muitos conflitos familiares
Os autores relacionam estes défices com:
- dificuldades conjugais;
- conflitos familiares;
- perda de amizades;
- isolamento social;
- dificuldades no trabalho;
- pior qualidade de vida;
- maior sofrimento emocional dos familiares.
Ou seja, muitos comportamentos interpretados como egoísmo, frieza ou falta de interesse podem resultar diretamente das alterações cerebrais e não de falta de caráter.
Esta é provavelmente a conclusão com maior impacto clínico e social.
4. O problema deve ser avaliado de rotina
Os autores defendem que a empatia deve passar a ser uma área avaliada sistematicamente na reabilitação do DCA.
Atualmente avalia-se frequentemente:
- memória;
- linguagem;
- atenção;
- funções executivas.
Mas raramente se avalia:
- empatia;
- cognição social;
- funcionamento interpessoal.
Os investigadores consideram esta uma falha importante dos serviços de reabilitação.
5. É necessário desenvolver programas específicos de reabilitação
Outra conclusão forte:
Não basta trabalhar memória ou atenção.
É necessário criar intervenções dirigidas a:
- reconhecimento das emoções;
- tomada de perspetiva;
- competências sociais;
- empatia cognitiva;
- empatia afetiva.
Os autores afirmam que estas áreas devem tornar-se parte integrante da reabilitação neuropsicológica.
6. O tipo de lesão cerebral parece importar menos do que se pensava
O estudo analisou:
- AVC;
- traumatismo cranioencefálico;
- tumores;
- aneurismas;
- outras lesões.
Não encontrou diferenças consistentes entre estas causas.
Isto sugere que os problemas de empatia são uma consequência relativamente transversal do DCA e não apenas do traumatismo craniano.
7. A empatia pode melhorar com o tempo
Encontrou-se uma associação positiva entre:
- maior tempo após a lesão;
- melhores níveis de empatia afetiva.
Isto sugere alguma recuperação espontânea ou adaptação ao longo dos anos, embora nem sempre completa.
8. Homens e mulheres com DCA apresentam alterações semelhantes
Ao contrário da população geral, onde as mulheres costumam apresentar níveis mais elevados de empatia, neste estudo:
- não foram encontradas diferenças relevantes entre sexos após o DCA.
E é isto
O GAP entre os outros conselhos típicos que as gestoras de famílias já dao: um dia de cada vez, celebrar vitorias, visitas positivas, entender que cada pessoa na família sofre mas manifesta o seu sofrimento de forma diferente e deve ser respeitada como tal, não tomar decisões na fase de agudas reconhecendo que não estamos com a cabeça fresce nem conhecvemos ainda o panorama do futuro, a pessoa com dano cerebral não confia no seu cérebro, um dia não é igual ao outro e mil coisas, há que alerta que a maioria dos DCA vai ter dificuldades em gerir emoções e a falta de empatia é algo que se poderá revear ao longo do tempo e poderá advir de razoes diferentes
Vera Bonvalot