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O caso de uma pequena rapariga que sofreu um traumatismo craniano e o seu caminho para a recuperação com a ajuda da família

29 de Agosto, 2011

“ Ela estava no 12º ano quando recebi uma chamada da polícia a informar que ela (minha irmã mais nova) sofreu um acidente de viação. Desloquei-me de imediato ao Hospital. Ela não respirava pelos seus próprios meios. Necessitou de ser auxiliada por um ventilador e assim começou a sua nova vida…As perguntas surgiram: quanto tempo ela dependerá do ventilador? Dias? Meses? Ninguém sabe… O caso é sério, enfermeiros, assistentes e médicos, ninguém diz uma palavra…

Isto não é um filme que estou a ver. Estou sentada ao lado da minha irmã, sem saber ainda a extensão total dos danos da sua lesão cerebral. Digo lhe palavras de incentivo durante esta jornada. São os 65 minutos mais desgastantes da minha vida. Vê-la sem reacção e imóvel na maca da ambulância a caminho de outro hospital para o qual foi transferida. O acidente deu-se de manhã, de mota, a caminho da escola. Um carro não respeitou o sinal de prioridade e deu se o embate. O acidente foi muito sério.

Lá vamos nós outra vez na ambulância, desta vez para efectuar uma ressonância magnética numa clínica privada. A minha irmã continua inconsciente mas não tenho, nem que seja por um instante, qualquer dúvida que ela vai acordar, eu sei que ela vai. Tenho igualmente noção que o impacto do acidente na cabeça e o facto de ela ainda estar inconsciente vão deixar sequelas. Quando ela acordar, a nossa menina estará diferente. Teremos uma “nova” irmã.

Estamos instaladas na Unidade de Cuidados Intensivos (UCI). Falo com os médicos mas nenhum arrisca um prognóstico e muito menos sabe o que se vai passar. Dizem-me para esperar e ver como ela progride. Estou determinada a assegurar que ela não perde o contacto com o mundo! Faço os possíveis para ela fazer exercício passivo: movimentar os braços, pernas, mãos e dedos e também coloco música para ela ouvir. Entretanto, requisitamos a presença
de um fisioterapeuta na UCI de modo a ela exercitar mais o corpo.

O tempo vai passando (perto de 1 mês na UCI) e ela continua sem estímulo ou reacção. Mas reparamos que está a ter progressos, muito lentamente, contudo, não deixam de ser progressos. Ela perdeu a memória, não reconhece a família e não percebe o que lhe transmitimos, as palavras que proferimos ao fazermos perguntas. Ela não é a mesma, é como se tivesse nascido outra vez.

Começa a recuperação, reabilitação, reintegração…O recomeçar a aprender tudo de novo: comer, andar, falar, pedir
para ir à WC, etc. Achamos que ela recuperará melhor se estiver perto de casa e então tem alta do Hospital e começa a consultar terapeutas da fala e continuando ao mesmo tempo a fazer fisioterapia. Mais tarde vai começar a aprender a ler e escrever. Entretanto, volta a casa e temos de ter em conta a sua recuperação como pessoa, mulher com direitos humanos e sexuais. O processo de aprendizagem é contínuo, ela tem muito a aprender! O contacto com a família e os amigos é importante para a sua vida social daqui para a frente, tal como estar muito ocupada com actividades que ela gosta de fazer.

Actualmente a nossa pequena tem 36 anos e depois de ter completado vários anos de reabilitação, ela hoje é uma massagista qualificada e com o seu próprio apartamento, embora com assistência. Vive perto de nós (família), o que permite passearmos juntas e conversarmos sobre o dia-a-dia.

Podemos afirmar que foi um renascer para a família. Quanto a ela, continua com a vida toda pela frente para aprender e
crescer.”

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